O empreendedorismo de Chicola*

 

Neste Natal, como faço todos os anos, fui passar com os familiares de minha esposa no município de Sousa, alto sertão paraibano e conheci um empreendedor que me chamou a atenção. Sua fama, já tinha notícias desde quando fui professor na UFCG, e meus colegas sempre falavam-me de um restaurante que havia num sítio próximo e da sua espetacular galinha de capoeira, para aumentar sua fama, meu cunhado comentara certa vez de uma confraternização feita lá com os amigos do trabalho. Fatos que aguçavam minha curiosidade.

Ao acordar-me no dia de Natal, minha sogra comenta que estava procurando o telefone do lugar para encomendar uma galinha para nosso almoço, ao falar aquele nome, lembrei-me de sua fama: Galinha do Chicola. Fui à internet e procurei o telefone, me deparei até com uma “Fan Page” na rede social Facebook e lá encontrei o telefone e começou a despertar em mim a importância daquela história, não como um simples lugar a conhecer, mas sim de um empreendedor nordestino.

Seu Chicola possuía tudo para desistir ou mesmo, para alimentar as lamurias, uma vez que, as adversidades são bem maiores que os incentivos, no entanto, ele fez ao contrário, construiu uma fama e hoje se mantém no sítio e dele tira o seu sustento e da sua família. A Fazenda “Santa Rita” fica a 9 km de Sousa, estrada para a cidade do Lastro. Num primeiro olhar a seca que devastou o sertão neste ano, castiga nossos olhos e magoa o coração, já que se houvesse água, tudo aquilo seria diferente, com açudes cheios as pastagens eram abundantes, o gado leiteiro esta vistoso e a maior bacia leiteira do estado não estaria tão sacrificada. Na busca por uma nova realidade, ele cria galinhas, que servem de prato principal para o seu restaurante e tirando delas o motor para subsistir.

Iniciativas como a de seu Chicola, o poder público deveria incentivar, transformando-a num modelo de sustentabilidade e convivência com a seca através do turismo rural. Aliado a tais frentes de modernização as que são relacionadas a melhoria tanto no acesso, como de infraestrutura geral do lugar, seriam importantes, fazendo com que o local se desenvolvesse e se tornasse um atrativo complementar ao passeio, por exemplo, do Vale dos Dinossauros, importante campo de estudos e turísticos da região. Fica então a dica do Poeta: “Seu doutô os nordestino têm muita gratidão / Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão / Mas doutô uma esmola a um homem qui é são / Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”

 

* João Marcelo Alves Macêdo – Professor da UFPB e Diretor Técnico do Instituto UFPB de Desenvolvimento da Paraíba.

Última atualização (Qui, 27 de Dezembro de 2012 13:54)

 

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